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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Crescer



- É mesmo assim. Aguenta-te.

Disse-me aquele sujeito que nunca aguentou. Nem vai. Cobarde pessoa cujo nome não me lembro ou não quero lembrar, porque sei lá, acho melhor assim – aguentar, sozinha.

Sozinha, só - é melhor, se não é melhor é mais prudente e agora é tempo de dever alguma coisa à prudência que já anda a arrastar os meus sarilhos há demasiado tempo e odeio coisas que se arrastam. Agora odeio, só agora.

- Estás tão diferente.

Sim, só agora porque cresci. Dizem que cresci - porque eu não noto diferença. Pensando bem troquei as molas por elásticos e a televisão por livros, mas isso para mim não é crescer – somente trocar hábitos. Crescer é aceitar a prudência, renunciar a algumas coisas e prescindir de outras, é viver mais tentando menos, ou tentar mais vivendo menos, já nem sei.

A questão é que agora acarto as minhas consequências, porque dizem que já está na altura de o fazer. Então que tudo passe rápido, que os ventos soprem ferozmente e que os segundos corram em vez de andarem, que passe tudo tão rápido. Esse tudo que é a dor dos anos passarem, das ações terem penas que duram anos, às vezes perpétuas.

Ninguém está preparado para a dor, eu não estou, odiava estar e espero nunca estar. Porque quem está- cresceu. E acho que não quero crescer, não no sentido que todos esperam, não da forma que todos sonham, não dessa maneira solitária. Mas da minha. Porque da vossa quem cresce tenta mais e vive menos.

Eu não quero viver menos, mas sim aproveitar mais. É por isso que me aguento, como me dizem para aguentar. Primeiro sigo as pisadas de uns e depois faço só aquelas que eu posso dar. E isso é crescer, isso é mudar.

sábado, 3 de março de 2012

Boa sorte, amor


E as coisas mudam sem te aperceberes. Pensavas que nada iria substituir esse sentimento de dor e desilusão. Quando te diziam para seguires em frente no fundo acreditavas que isso nunca seria possível, estavas presa a alguém que já era passado mas que no teu coração continuava presente e desejavas no fundo que ainda estivesse no futuro. Odiavas sem razões e dizias estar bem quando só te apetecia gritar. É normal, tu amavas. Amavas mesmo. Sem razões, motivos, argumentos, explicações, nada. Tu simplesmente te entregaste. Mas sim, as coisas mudam. No momento em que pensavas que nada poderia piorar, que o teu ódio e saudade não poderiam ser mais cruéis contigo, eis que surge uma esperança. E aquela pessoa que dizias ser especial, não sabendo porquê, ela era diferente para ti. Mas era, já não é. Dizem que as desilusões ajudam a esquecer. Mas nunca funciona. Nem vale a pena. Só o tempo. O tempo sara ou disfarça a ferida, atenua a dor e faz-te esquecer a desilusão.

Acreditavas que ninguém a podia substituir, chegaste a pensar que nunca mais serias capaz de gostar de alguém. Mentira, tu mudas. Mudas para não sofreres, escondes o que verdadeiramente és para não te voltarem a fazer o mesmo. Enlouqueces. Mas mudas. Por esta altura sentes-te sozinha, sem ninguém, vazia, incompleta, nostálgica – sem concerto que the valha.

A vida prega-nos partidas inexplicáveis. Estavas tu tão bem – a mudar. Quando aparece, para bem de todos os males, alguém que renova a tua fé, que te faz acreditar de novo que o amor é possível, só precisa de ser cuidado. Faz-te ficar acordada a noite inteira a imaginar cenários futuros, faz-te cantar durante o dia e publicar posts românticos idiotas. Até és capaz de prescindir do teu valioso tempo para dormir só para ficares acordada a falar de coisas, que não são coisas. Abstrações que tanto a ti como a ele são comuns e que adoram discutir horas a fio.

Tu percebes que encontraste alguém. Alguém melhor. Que te ajuda a ter forças e que será durante os próximos tempos a razão de acordares com um sorriso na cara.

É verdade que a maior parte das coisas não são substituíveis. Ficam lições, somente. Mas ainda bem que é assim. Quando deres por ti a escrever algo como isto perceberás que seguiste em frente como nunca pensaste fazer. Perceberás que esta será a última vez que irás escrever sobre o passado. Porque sim - o futuro apresenta boas previsões e tu odeias tempestades.
Mereceste tudo o que fizeste e o que farás. Boa sorte.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Eu dizia saber


Eu digo que sei o que sinto. Mas não sei de manhã que sapatos escolher.
Eu digo que sei o que quero. Mas a minha vida é feita de escolhas duvidosas, saltando de caminho em caminho.
Eu digo que sei – tola que sou.
Eu não sei nada. E de que vale saber? Ao menos se pudéssemos decidir, sonhar ou ainda imaginar com uma venda nos olhos… Os pormenores não existiriam, não passariam de um conceito abstrato impossível de alcançar porque a vida tornar-se-ia aquilo que nunca foi – viver com substância. Sabê-lo fazer.
Nós sabemos demais, procuramos demais, não entendemos que o melhor está mesmo ao nosso lado – carregando as dores, as lágrimas, as virtudes que partilhámos. E rastejam de carga tão grande que levam – a nossa – só para nos acompanharem no caminho que dizemos que queremos, que dizemos sentir ser o correto.

- Onde estamos? Porque não me contas onde estamos? Já posso tirar?

Perguntei um dia.

- Não ainda não, ainda não é tempo.

Disse-me alguém que não conhecia mas que de certo modo me era familiar. Que me suportou em todo o caminho de cegueira que atravessei. Eu sabia que ela estava corcunda, o trabalho árduo era muito, as minhas consequências pesavam-lhe, mas eu estava cega- de olhos vendados. Eu não podia fazer nada.

Foram anos de caminhada, de uma luta infinita procurando uma luz para os meus olhos. Anos sozinha – ou passados com desconhecidos. Mas foi esse tempo, essa persistência, viver num mundo a preto, caminhar num lugar estranho, que me fez perceber o que realmente sou – essência.

E chegou a hora.

- Vais sentir uns sintomas estranhos – cócegas na barriga, pensamentos infinitos, um bater de coração forte e a cara corada. Mas é mesmo assim – viver é amar. 1, 2..., 3!

Tiraram-me a venda. Esse alguém que rastejou ao meu lado uma vida inteira. Então carreguei também o fardo que levava às suas costas, e juntos percorremos caminhos cegos ao mundo – abstraídos dos detalhes imperfeitos de quem não sabe o que é a cegueira.

Eu dizia que sabia o que sentia, tola que era. Não imaginava eu que dar valor às coisas não era vivê-las mas sim melhorá-las.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A vocês - mensagem


Véspera de Natal.

Hoje é diferente. Sempre é.

Podia utilizar qualquer dos dias para dizer as próximas palavras. Mas hoje, por ser hoje – tornam-se especiais e carregam mais magia que nos outros dias, em outras horas. Eu quero que estas sejam diferentes, repletas de sentimento e desenhadas com a alegria. Gostava que sentissem o que eu sinto, apenas neste momento. Os outros são águas passadas.

Deve ser das primeiras vezes que me custa escrever as palavras, agora ao imaginá-las como um castelo perfeito e dinâmico vejo que no papel apenas retratam uma cabana de madeira já velha. Mas é o meu objectivo, as coisas humildes sempre são as melhores.

Eu apenas queria agradecer. Um agradecer especial. Carregado. Um símbolo.

Dizem que basta acreditar e lutar para o sonho se vir a concretizar. Eu digo que não. Aliás, um agradecer não chega. A vocês, todos os meus leitores e amigos, que lêem o que escrevo e me dão apoio para continuar, a vocês – um obrigada não é presente nem oferta, não chega simplesmente.

Não basta apenas gostar de escrever para as palavras saírem. É preciso apoio e força, que me encarregam de dar. Graças a vocês, que lêem isto, as oportunidades foram surgindo como as andorinhas na primavera. E não as devo a mim, mas a todos aqueles que pegaram na minha caneta e me forçaram a escrever no papel aquilo que a minha alma não quer fazer entender.
Faltam-me as palavras, já houve tempos em que também me faltavam. Insistiam em permanecer somente na minha memória como todos vocês já permanecem, esse é o meu único e feliz problema. Que sejam sempre estes a acompanharem-me.

Que tenham um feliz natal e um bom ano 2012.
A minha vida não seria o que é agora sem o fruto da vossa esperança, que começa agora a brotar.
Em nada destas frases vejo o meu total agradecimento e alegria para com vocês, mas são estas simples e humildes palavras que constituem aquilo em que me tornei.

Amizade é a principal textura do tecido que é a vida.
Repito, gostava que sentissem o que eu sinto. 
Por tudo - obrigada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Praia do Meu Passado

Oh se eu pudesse fazer renascer
Aquelas lindas ondas onde balancei,
Onde eu porventura já te fiz perceber
O quanto naqueles dias te amei.
Junto dos sons que baloiçavam,
- Sim, era mesmo aí,
Que as nossas almas se encontravam.

E víamos peixes a nadar,
Rápido e astutos
Como eu e tu.
E logo se apressavam a escapar,
Sem mais nada dizerem,
Como também nós,
Somente por vermos os corações aquecerem.

E aquele por do sol mágico,
Decerto não te deverás lembrar.
Não me importo,
Por essa altura estavas sempre tu
A tentar-me encantar…
Com aqueles teus lindos jeitos de ser
Que infelizmente em mais ninguém encontrei.
Até hoje, meus lábios fiz morrer
Na esperança de voltar a ter aquilo que já desejei.

Oh se pudesse voltar a sentir o vento na cara,
E a tua mão no meu cabelo.
E por mais uma eternidade voltar a olhar,
Como te olhei,
Antes da tempestade começar,
E onde momentos depois, naufraguei.

Se o tempo retrocedesse
Seria a primeira a voltar,
Aquela praia,
Onde tu e eu,
Viemo-nos a apaixonar.
Não me lembro se foi entre ondas,
Ou entre marés,
Que mergulhei na coragem
E arrisquei os pés.

Apenas sei,
Aquilo que em mim ficou registado,
As marcas no coração,
Feitas quando o meu barco
Havia naufragado.

 “Revê-me nas tuas memórias,
Durante infinitos meses.
Sou a prova das tuas inúmeras vitórias
Ao teres-me conquistado mil e uma vezes.”